Comunidade SETI

Aumentam esperanças de vida em Júpiter
 

A Lua gelada de Júpiter, Europa, pode conter, sob sua crosta gelada, o maior oceano do sistema solar. As novas evidências colhidas pela Nasa em agosto confirmaram indícios anteriores de que esse oceano pode ser suavemente aquecido por vulcões submarinos, criando condições adequadas para a existência de vida extraterrestre.

Na superfície, Europa é muito fria, chegando, na média de 260 graus Farenheit negativos. Todo o planeta é coberto com uma fina camada de gelo e a camada de oxigênio é um milhão de vezes mais fina que a da Terra. Mas, ao contrário, sob a superfície gelada pode esconder-se um oceano morno e talvez com alguma forma de vida.

Não existe cientista algum que afirme com certeza que as condições interiores de Europa sejam totalmente propícias à existência de alguma espécie de vida baseada no carbono, entretanto as
esperanças e a excitação vêm aumentando a cada dia acerca dessa possibilidade. Fazendo uma comparação, esses cientistas lembram que na Terra os vulcões submarinos e correntes hidrotermais criaram condições ambientais para sustentar ricas colônias de micróbios. Caso sistemas similares estejam ativos em Europa, concluem alguns cientistas, a vida também pode
estar presente por lá.

O problema todo se resume num raciocínio simples: podem oceanos de água existir por mais de 4 bilhões de anos, como é o caso de Europa, sem que nele surja alguma espécie de vida? A resposta
para isso é uma só: não sabemos.

NOVAS IMAGENS - As evidência circunstanciais a favor da existência de mares subterrâneos na Lua gelada de Júpiter continuam a crescer. Novas imagens transmitidas pela nave Galileo no último 27 de agosto mostram grandes áreas na superfície de Europa onde a água quente pode ter rompido a camada de gelo.

Essas rupturas devem ter acontecido, segundo cálculos do Jet Propulsion Laboratory (JPL), há cerca de 50 milhões de anos. Parece um tempo imenso, porém trata-se de apenas 1% da idade de Europa. Assim, se algum processo aconteceu naquele período é possível que esteja acontecendo ainda hoje. Por esse motivo, os estudos do satélite de Júpiter voltam-se agora para a observação e análise do que acontece sob sua superfície gelada. Espera-se para 2003 o lançamento de uma missão que leve um
veículo destinado a mergulhar sob o gelo e explorar diretamente o que existe ali. O projeto deste veículo já está em fase adiantada. O maior problema, porém, é criar meios que evitem qualquer espécie
de contaminação ambiental na sua volta à Terra, pois a vida que os cientistas esperam encontrar em Europa, se realmente existir, será na forma de microorganismo, como bactérias talvez, entre eles,
muitos desconhecidos por nós.

Eduardo Castor Borgonovi, da Agência Estado